PUBLICIDADE

Guia de skincare com alfa-hidroxiácidos (AHAs): glicólico, mandélico e lático!

18 novembro 2020
Os alfa-hidroxiácidos (AHAs) são um grupo de substâncias naturais encontradas em frutas e outros alimentos. Eles são frequentemente usados como ingredientes principais em cosméticos destinados aos cuidados da pele com uma variedade de propósitos, como suavizar linhas finas e rugas superficiais, melhorar a textura e o tom da pele, além de limpar os poros. 

Visando a busca frequente por produtos com essas substâncias, este post foi produzido com o apoio de livros, artigos e estudos referentes ao tema e tem como objetivo informar sobre a forma de ação, benefícios e efeitos colaterais dos alfa-hidroxiácidos nos cuidados com a pele.

Guia de skincare com alfa-hidroxiácidos (AHAs): glicólico, mandélico e lático!

Quais são os alfa-hidroxiácidos?


  1. Ácido glicólico: Derivado da cana de açúcar, altamente solúvel em água, dos alfa-hidroxiácidos é o que tem o menor peso molecular.
  2. Ácido lático: Obtido pela fermentação da lactose. Tem função hidratante, umectante, agente bacteriostático e renovador celular.
  3. Ácido málico: Está presente em frutas como maçãs e peras. Possui ações antioxidante, hidratante e esfoliante.
  4. Ácido tartárico: Extraído da uva, é antioxidante, regenerador, clareador e queratolítico.
  5. Ácido cítrico: Pode ser obtido de frutas cítricas. É despigmentante, renovador celular e antioxidante.
  6. Ácido mandélico: Extraído de amêndoas amargas. É o alfa- hidroxiácido de maior peso molecular, com absorção lenta da pele, favorecendo um efeito uniforme e é indicado para peles sensíveis.

Como os alfa-hidroxiácidos agem na pele?


Alfa-hidroxiácidos agem tanto na epiderme (em baixas concentrações) quanto nas camadas mais superficiais da derme (em concentrações mais elevadas). Eles diminuem a coesão dos queratinócitos do estrato granuloso, com isso há um aumento da descamação celular propiciando um afinamento do estrato córneo.

Os alfa-hidroxiácidos também promovem um aumento da hidratação do estrato córneo por meio de propriedades umectantes, tornando a pele mais flexível e menos vulnerável a rachaduras superficiais. 


O ciclo de renovação natural da pele


A pele é composta por três camadas: epiderme, derme e hipoderme. A epiderme é a camada mais externa, tendo como função principal a proteção contra os agentes externos. Ela é formada por várias outras camadas, que são:

  • estrato córneo (camada da descamação)
  • estrato lúcido (de células achatadas)
  • estrato granulado (de células muito achatadas) onde começa o processo de queratinização.
  • estrato espinhoso (composto por células poliédricas)
  • estrato basal (composto por células jovens que se multiplicam constantemente)

Para que um produto consiga cumprir com tudo aquilo que promete no rótulo, é preciso vencer essas barreiras na permeação cutânea, principalmente a matriz lipídica intercelular do estrato córneo. 

Camadas da epiderme ilustração explicativa



O estrato córneo é formado por células mortas em forma de lâminas que formam uma estrutura rígida e hidrófila, exercendo as funções de proteção contra agentes físicos, químicos e biológicos, além de impedir a perda de umidade.

Nele predomina a queratina e é onde ocorre o desprendimento constante dos queratinócitos e consequentemente a renovação da epiderme. Este é um processo natural de esfoliação, entretanto, com o avançar da idade, ou por distúrbios dermatológicos, esse ciclo vai diminuindo, e o resultado são manchas, desidratação e rugas.


A boa notícia é que essa esfoliação pode ser acelerada com o uso dos alfa-hidroxiácidos, pois eles reagem com a enzima “cimentante” que existe entre a queratina, promovendo a esfoliação da superfície acelerando assim a renovação celular.

Os alfa-hidroxiácidos causam descamação controlada através da remoção do estrato córneo, provocando a destruição de camadas especificas da pele lesada. Ao destruir essas camadas e substituí-las por células novas, obtém-se um melhor resultado estético, como o clareamento de manchas e limpeza dos poros, além de tornar a pele mais permeável a outros ativos cosméticos.


Alfa-hidroxiácidos e o envelhecimento da pele por exposição solar:


Os AHAs também demonstraram efetividade na redução de sinais de envelhecimento resultantes da exposição solar e outros fatores ambientais. A aplicação tópica de baixas concentrações (2-10%) resulta em aumento de ácido hialurônico, sendo que este aumento pode ser um importante aspecto na melhora de linhas de expressão e rugas associados ao fotoenvelhecimento.


Ácido Glicólico combate manchas


Extraído da cana-de-açúcar, o ácido glicólico é o AHA mais curto com apenas dois átomos de carbono, por isso tem a capacidade de penetrar na pele com mais facilidade. Entretanto, o seu poder de penetração depende de alguns elementos, como características individuais de cada pele, integridade da barreira cutânea, veículo, formulação e pH do produto. 

Além de estimular a produção de colágeno (em peelings profundos), esse ácido reduz a produção de melanina, sendo útil no combate a manchas. 

Também se mostra benéfico para peles acneicas, pois mantem os poros livres do excesso de queratinócitos. Ainda ajuda a diminuir os sinais e manchas da idade, melhora o tônus da pele, tornando-a mais macia e uniforme.

Ácido Glicólico nos cuidados com a pele combate manchas


Efeitos colaterais do ácido glicólico:


O efeito colateral mais observado é o eritema que muitas vezes pode ser persistente, mas depende da sensibilidade da pele, da concentração, do pH e número de aplicações. Quanto maior a concentração e mais baixo o pH, maior será o poder de penetração e mais irritante será a aplicação.

Posso usar ácido glicólico todos os dias?


Isso depende de vários fatores, incluindo seu tipo de pele, idade, concentração e a sua tolerância ao ácido.

O ácido glicólico pode ser encontrado em limpadores, hidratantes, séruns e máscaras — mas as fórmulas e concentrações nunca serão iguais! Usar limpadores e hidratantes com ácido glicólico todos os dias é bom, mas fazer o mesmo com séruns concentrados e esfoliantes não é uma boa ideia.

Para ácidos prescritos pelo seu médico dermatologista, siga as suas orientações. Se é um cosmético de venda livre, siga as recomendações do fabricante pois estão alinhadas à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).



Ácido Lático melhora a hidratação da pele


Frequentemente derivado do leite, o Ácido Lático ocorre naturalmente na pele e é conhecido pelo seu alto poder umectante. Ele é mais suave que o ácido glicólico, mesmo assim não perde as propriedades regeneradoras e rejuvenescedoras características dos alfa-hidroxiácidos.

Foi demonstrado que o ácido lático é capaz de ativar a renovação da pele por induzir a apoptose e inibir a proliferação excessiva dos queratinócitos. A aplicação desse ácido na superfície da pele aumenta a concentração de ceramidas na epiderme, que são essenciais para reter água e manter os níveis de hidratação.

O ácido lático também possui propriedade antimicrobiana, que é extremamente interessante no tratamento de condições associadas à presença de microorganismos, tais como a caspa e a acne.

Em concentrações inferiores a 5% o ácido lático tem ação hidratante. Superior a 5% exerce ação esfoliante.

 

Ácido Lático melhora a hidratação da pele

Ácido Mandélico no combate à acne


Obtido do extrato de amêndoas amargas, o Ácido mandélico é considerado o AHA de maior peso molecular, por isso penetra lentamente na pele, favorecendo um efeito uniforme, indicado principalmente para peles sensíveis. 

Ele é capaz de melhorar a textura da pele porque sua molécula penetra além da camada córnea, dissolvendo o cimento intercelular, promovendo a descamação e tornando a superfície da pele homogênea, proporcionando um toque suave. 

O ácido mandélico é bastante utilizado para combater hiperpigmentações, pois age na inibição da síntese de melanina, bem como na melanina já depositada. Também atua durante o processo infeccioso da acne e, além de combater as bactérias que formam esse processo, evita a formação de novas e acelera a cicatrização do quadro existente. 

Ácido Mandélico no combate à acne


Qual é o melhor alfa-hidroxiácido para a minha pele?


Quando se trata de alfa-hidroxiácido, quanto menor é a molécula, maior é a permeação cutânea.

O ácido glicólico tem o menor peso molecular, isso significa que ele é capaz de penetrar na pele com mais profundidade do que os outros AHAs. Portanto, usá-lo sem preparar a pele ou aumentar a sua tolerância à ácidos pode levar a vermelhidão, irritação e até queimaduras severas.

Ao decidir qual usar, você tem que considerar a sensibilidade e tolerância da sua pele: 

  • Você já utilizou ácidos antes? 
  • Sua pele irrita com facilidade?

A pele oleosa é mais resistente a ácidos, por isso é importante avaliar e observar especialmente as áreas mais sensíveis do rosto: comissura labial, cantos da boca e do nariz, pálpebras superiores e inferiores e no queixo, nessas regiões há maior penetração do ácido, sendo mais fáceis de desencadear alergias e até lesões.

Tenha em mente que o ácido lático oferece os mesmos benefícios que o ácido glicólico, mas por ter um tamanho maior de molécula ele não penetra tão profundamente e é menos passível de causar irritações.


Escolha fórmulas eficazes!


Caso esteja procurando um produto esfoliante ou despigmentante, dê atenção para aqueles que têm a concentração do alfa-hidroxiácido mencionada na embalagem. Produtos que não têm essa informação apresentam uma concentração tão baixa na fórmula que não lhe dará os resultados desejados, no máximo uma hidratação.

Concentração usual dos alfa-hidroxiácidos


Em baixas concentrações, os produtos que contém AHA’s são de livre comercialização, sendo encontrados em locais como lojas de cosméticos e drogarias.

A Câmara Técnica de Cosméticos (CATECT) recomenda que a utilização de AHAs e seus derivados em produtos cosméticos deve ter sua concentração máxima limitada a 10%, calculada em sua forma ácida, em pH igual ou maior a 3,5. 

Mais importante que a porcentagem do alfa-hidroxiácido é o pH da formulação, pois precisa estar na forma ácida para ser eficaz na promoção da esfoliação e renovação celular da pele.


Conclusão:

  • Alfa-hidroxiácidos (AHAs) são esfoliantes químicos que agem na epiderme e aumentam a rotatividade celular para clarear a pele, hidratar, manter os poros limpos, combater sinais de envelhecimento e melhorar a permeação de outros ativos.
  • A eficácia e irritação dos AHAs dependem do pH, concentração, tamanho molecular e características individuais de cada pele.
  • A concentração efetiva deve ser de pelo menos 5%. 
  • A pele oleosa é mais resistente a ácidos.
  • O AHA mais eficaz é o ácido glicólico, em contrapartida é o que tem maior potencial de causar irritação.
  • O ácido lático faz tudo que o ácido glicólico, mas de uma maneira mais lenta porque a sua molécula é maior, o que reduz a sua capacidade de penetração na pele.

Referências:

HARRIS, M.I.N.C. Pele: do nascimento à maturidade. 1° Edição. São Paulo: Editora SENAC São Paulo, 2017. 

GOMES, Rosaline Kelly; Gabriel Marlene, Cosmetologia: descomplicando os princípios ativos. São Paulo; Editora Livraria Médica Paulista, 2006. 

NARDIN, P.; GUTERRES, S.S. Alfa-hidroxiácidos: aplicações cosméticas e dermatológicas. Cad. Farm., v.15, n.1, p.7-14, 1999.

Walter P Smith, Epidermal and dermal effects of topical lactic acid, Journal of the American Academy of Dermatology, Volume 35, Issue 3, Part 1, 1996, Pages 388-391, ISSN 0190-9622, https://doi.org/10.1016/S0190-9622(96)90602-7.

Sarkar, Rashmi et al. “Chemical peels for melasma in dark-skinned patients.” Journal of cutaneous and aesthetic surgery vol. 5,4 (2012): 247-53. doi:10.4103/0974-2077.104912

PERSSONELLE, J. G. Cosmiatria: A ciência da beleza. Rio de Janeiro: Revinter, 2004.

VELASCO, M. R. Rejuvenescimento da Pele por Peeling Químico: Enfoque no peeling de Fenol. Anais Brasileiros de Dermatologia. Rio de Janeiro. V. 79, n. 1, Jan/Feb. 2004. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/abd/v79n1/19999.pdf> Acesso em: 05 nov. 2020. 

TEDESCO, I. R. Produtos cosméticos despigmentantes nacionais disponíveis no mercado. Santa Catarina, 2007. Disponível em: <http://siaibib01.univali.br/pdf/Ionice%20Remiao%20Tedesco.pdf Acesso em: 10 nov. 2020.

GUERRA, F. M. R. M. Aplicabilidade dos peelings químicos em tratamentos faciais – Estudo de revisão. Paraná, 2013. http://www.mastereditora.com.br/periodico/20130929_214058.pdf

AMORIM, L. M; MEJIA, D. P. M. Benefícios do peeling químico com ácido glicólico no processo de envelhecimento. 2013. http://portalbiocursos.com.br/ohs/data/docs/18/76__BenefYcios_do_peeling_quYmico_com_Ycido_glicYlico_no_processo_de_envelhecimento.pdf

2 comentários:

  1. Nada como saber de um bom ácido para combater às anchas da pele! Já usei o ácido glicólico e é maravilhoso!

    Beijos!
    tucacheias.com

    ResponderExcluir
  2. Amei esse post, super informativo! Estava esses dias olhando alguns produtos com esses ácidos na composição e tentando entender qual seria mais adequado para mim.
    Instagram @blogbrunavirginia
    Blog | Facebook | Twitter | Canal Youtube 
    Beeijos (:

    ResponderExcluir

- Os comentários são de responsabilidade de seus respectivos autores.
- Não são permitidos links que redirecionam diretamente para um post, vídeo ou sorteio.
- Seu comentário é muito importante para o andamento do blog e é um grande incentivo para mim, deixe sua opinião, dica, elogio, critica (com fundamento) ou sugestão.
- Apreciamos educação!
- Deixe a opção "Notifique-me" marcada para ser notificado(a) quando eu responder seu comentário!

© 2018 - Todos os direitos reservados Desenvolvido com amor, Lariz Santana